terça-feira, 14 de julho de 2009

Ignorância..

Este aqui é um desabafo pela minha indignação com algumas coisas que vem acontecendo de errado ( e muito errado) e o conformismo idiota ao qual muitos têm se rendido.

Estou escrevendo esse texto pois presenciei pela segunda vez uma situação desesperadora: ao me deparar com aqueles trenzinhos de festa infantil que carregam as crianças pela cidade, tive o desgosto de saber que essas crianças ( nossas crianças ) estão ouvindo e cantando músicas de cunho pornográfico, violento, das quais prefiro não listar nenhuma pois, infelizmente, existe um público pra esse tipo de música. Tá certo, uns vêm e me dizem que essa é a realidade de gente mais humilde, que não tem oportunidade de escutar uma música mais poética, mais bem elaborada, mas eu não consigo concordar com nossas crianças ouvindo somente esse tipo de "música".

Outros escutam essas músicas, mas conseguem discernir qual delas tem algum conteúdo a ser absorvido e sabem separar. Infelizmente, essa é a minoria. Falo isso porque, apesar de não ter sido completamente orientado em relação à música pelos meus pais, tive a oportunidade de contato com o Universo Musical ( que é tão amplo) desde criança, em grande parte de sua extensão e venho aprendendo até hoje. O que me chateia é saber que os pais simplismente viram a cara para essa triste realidade. Ainda não tenho filhos, mas isso é uma providência que tomarei assim que os tiver.

Sei que a realidade atual é essa, essas músicas estão aí, e não existe meios de taparmos completamente o ouvido das crianças pra esse tipo de coisa. Mas se as ajudarmos a criarem um filtro, entendendo o que merece ficar guardado e o que simplismente passa, já é de enorme valia. Não é simplismente proibir que resolverá esse tipo de problema, é conscientizar.

A realidade hoje é como é, por falta de atenção, de formação, de orientação. Não só na parte musical, mas em tudo. Na televisão, a violência se tornou algo normal, pois assistimos guerras e atentados, assassinatos brutais entre pais e filhos, entre muitas coisas absurdas que passam nos telejornais.

Imagine-se nascendo dentro desse contexto? O que seria normal pra você? A violência, é claro. Então não podemos reclamar da falta de educação e de amor que sé vem aumentando a cada dia. Cada um tem que fazer sua parte, e nossa missão neste mundo, é não só transmitir nossos genes para nossa prole, como também transmitir valores, ideais, moral, ética, e o que vem faltando em maior quantidade, o amor. Muitos acreditam que precisam ficar ricos pra deixar bens materiais para os filhos, netos e gerações posteriores. O que é material acaba no momento em que morremos, mas o amor transmitido eleva-nos em toda nossa vida.

O amor é o inversamente proporcional ao individualismo. Quanto menos amor temos pra dar, mais individualistas seremos. E quanto mais individualistas, mais capacidade de fazer o que for preciso pra se promover. E geralmente esse " o que for preciso" é mau.
O planeta está descontando todo o mal que já fizemos para a Natureza, e a Terra faz isso pelo amor que tem por si própria. Ela tem chance de se recuperar? Creio que sim, visto que já driblou tantas dificuldade durante bilhões de anos.

Agora, e nós? Como será nosso futuro? Não está na hora de mudarmos nossos conceitos antes que seja tarde demais? A água terá de bater na nossa bunda pra começarmos a agir ( isso se existir água)? Se acharmos normal a situação de violência visual, auditiva e física da qual vivemos, o que vocês acham que nossos filhos pensarão?

É aqui que voltam nossas crianças, pois são elas o futuro da nossa humanidade. É a única chance que temos de reverter essa situação. Elas tem que aprender o quão importante é fazer e transmitir o amor. Elas tem que enxergar que toda essa situação em que vivem foi criada por nós mesmos, e seremos nós que a reverteremos.
Mas vocês devem estar se pergutando como fazer isso com tanta facilidade de acesso à todas essas violências: cabe aos pais e formadores a conscientização sobre essa situação. Falo isso, porque quando tiver filhos, não ligo para os possíveis bens materiais que poderia deixar pra eles, mas sim a consciência de que estamos aqui, somos iguais, e devemos respeitar o próximo e nossa Mãe-Natureza para que não soframos posteriormente.

Vamos sair dessa situação de inércia da qual estamos vindo. Vamos ter uma atitude mais reflexiva e atuante do que o conformismo e falta de ação que é a causa dos nossos problemas atuais. Toda mudança gera estranheza, mas como saberemos o benefício dessas mudanças se ao menos não as tentarmos?
Comece aí, na tua própria consciência, faça um balanço de sua vida e veja se é essa a vida que você quer para seu filho. Ensine-o, estimule-o a ler um bom livro, a assistir um bom filme, a escutar uma boa música, pois mesmo na situação em que vivemos, ainda resta uma esperança nas coisas boas que ainda existem.



O pior de tudo, é fazer o nada. - Gabriel Locher

Um comentário:

  1. Creio que quando os pais dessas crianças veem algum telejornal ou algum programa de incentivo às atitudes mais sanas em relação à educação das nossas crianças, pensam como algo utópico e bem distante da realidade deles, e que não tem o poder de conseguir, por algumas simples atitudes, mudar nossa dura realidade.
    Talvez, mesmo que o ambiente seja muito mais de difícil relação com os familiares, por motivos de brigas ou algo do gênero, acham que não é possível, mas para o ser humano digo que tudo é possível. Vemos pessoas tocando coisas absurdas na tv ou no nosso dia-a-dia, pessoas criando máquinas superinteligentes, ciências sendo descobertas, doenças sendo curadas, por pessoas NORMAIS. Quero dizer é que há coisas muito mais "impossíveis" de se executar do que alguns simples atos de carinhos, educação, e fraternização que possa ocorrer em casa ou no trabalho ou na comunidade em que estamos aptos a viver. Tudo é questão de senso e atitude.
    ótima postagem Gabriel! Assunto diverso e constroverso.
    Abraços fera XD

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